Monday, December 18, 2017

A temporada de furacões tem afetado as aves do Caribe
Photo Credit To Flamingos, papagaios e garças são algumas das aves que sofreram os efeitos dos suscessivos furacões do Atlântico nos últimos meses. Mike Theiss/ National Geographic

A temporada de furacões tem afetado as aves do Caribe

Os cidadãos caribenhos ainda estão lutando para recuperar-se da temporada de furacões que varreu a área nos últimos meses, assim como os habitantes de penas das ilhas. A força do vento, a intensidade da chuva e as inundações têm destruído muitos lares e comércios, mas também têm sido uma grande ameaça à vida selvagem. As informações são da National Geographic.

Os informes preliminares indicam que algumas populações de aves têm sofrido muito mais que outras. Um bando de mais de 50.000 flamengos do Caribe (Phoenicopterus ruber) conseguiu sair da ilha de Inagua antes da chegada do furacão Irma e os conservacionistas já informaram seu regresso.

Em Cayo Coco, Cuba, os biólogos avistaram milhares de aves mortas. Nas ilhas mais afetadas de Porto Rico e Barbuda, os impactos na fauna ainda são desconhecidos, já que os residentes ainda enfrentam uma crise humanitária imediata.

papagaio verde com linha vermelha acima do bico superior, em close de frente
O Papagaio de Porto-Rico se encontra entre as espécies em risco que pode ter mais dificuldades para se recuperar dos furacões, cada vez mais fortes. Pablo Torres/ Serviço de pesca e vida silvestre dos Estados Unidos/ National Geographic

As espécies de aves do Caribe levam muito tempo lidando com o intenso clima tropical. Mas muitas espécies de aves na região, entre elas o diablotim e o papagaio de Porto-Rico já se encontram ameaçados de extinção, por isso os aumentos da frequência e da intensidade dos furacões podem dificultar sua recuperação.

“Algumas dessas aves foram capazes de se recuperar, mas sua resistência pode estar diminuída”, explica Dan Lebbin, vice-presidente de programas internacionais da Organização Americana Bird Conservancy.

Desviados de seu trajeto

Como os humanos, muitas aves tentam fugir quando percebem que uma tempestade se aproxima. À medida que o furacão Harvey se aproximava da costa do Texas, um radar registrou um êxodo massivo de muitas aves da região antes da tempestade.

As aves marítimas podiam simplesmente voar em torno da tempestade. Porém, o tamanho de alguns furacões – Irma, que alcançou a largura de 645 km – pode dificultar a fuga das aves. Neste caso, os pássaros ficam presos à tempestade e são desviados de seu trajeto em mais de 100 km.

Isso ocorreu com um pássaro que apareceu na costa de Cape Cod, Massachusetts. Quando Stephanie Ellis, diretora executiva da Wild Care Inc., viu pela primeira vez a ave, trazida por uma pessoa que a havia encontrado em LeCount Hollow, a princípio pensou que era um Ganso Patola (Morus bassanus). Porém, um especialista local revelou que o pássaro se tratava, na realidade, de um Atobá-Grande (Sula dactylatra).

Atobá-Grande, ave branca com bico comprido e pontudo, de frente coberto com pano
Um Atobá-Grande foi levado para longe da sua casa pelos ventos do furacão José. Estava sob os cuidados do grupo de resgates em Cape Cod, Massachusetts, mas não sobreviveu. Wild Care. Inc/ National Geographic.

“Nos assustou ver um alcatraz mascarado na região. Esta ave deve ter percorrido uma grande distância”.

Ellis acredita que os ventos do furacão José desviaram seu rumo por mais de cem quilômetros do seu habitat no Caribe ou do golfo do México. Infelizmente, a ave não sobreviveu à viagem, apesar dos esforços para salvar-lo. Chegou molhado, faminto e com grave infecção fúngica.

“Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance”, escreveu Ellis na página de Facebook da fundação, “seu estado era grave desde o início”.

Controle de danos

Tanto Ellis quanto Lebbin afirmam que os perigos das tempestades para as aves são similares as que preocupam aos humanos. Para os pássaros que não conseguem sair da trajetória da tempestade, a prioridade é encontrar refúgio. Os flamingos que não conseguiram sair de Inagua, sobreviveram graças aos maguezais das redondezas. Também conseguiram se salvar as garças avermelhadas (Egretta rufescens) perto de Sanibel, Florida.

Além de encontrar um esconderijo, as aves devem se esquivar do entulho e se salvar do aumento dos níveis das águas, inundações e derrame de óleo. Os furacões também danificam a fonte de alimento dos pássaros. Um furacão de grande intensidade pode arrancar todas as frutas de uma árvore, deixando a planta tão estressada que não poderá produzir frutos novamente até o próximo ano. Para os pássaros que dependem de frutas como alimento, furacões como Irma ou Maria podem significar o início de um ano difícil.

As tempestades recentes também reduziram ou eliminaram importantes infraestruturas de conservação, incluindo o escritório do grupo conservacionista Environmental Protection in the Caribbean, na ilha de San Martin. As espécies raras em perigo de extinção como o diablotim (Pterodroma hasitata) e o papagaio de Proto-Rico (Amazona vittata) podem sofrer com essas perdas durante anos devido à diminuição da capacidade de proteção dos habitats e resgate das aves doentes ou feridas.

Contudo, Lebbin se mostra “moderadamente otimista” sobre a sobrevivência das espécies de aves do Caribe e completa “evoluíram para sobreviver aos furacões durante milhões de anos”.

About The Author

Danielle é jornalista, formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Já foi voluntária em diversas ONG como Abeac, Anda, Associação Mata Ciliar e N/a’an ku se (Namíbia). Atualmente, estuda Medicina Veterinária na Fesb de Bragança Paulista, onde faz estágio no hospital universitário HVet.

Related posts

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *