Sunday, November 19, 2017

França tem primeiro partido de proteção dos direitos dos animais

França tem primeiro partido de proteção dos direitos dos animais

Com quase 15 anos de atraso em relação aos vizinhos holandeses, a França tem agora o primeiro partido dedicado à proteção dos direitos dos animais. O Partido Animalista pretende incluir a questão na Constituição, a exemplo do que ocorreu com o meio ambiente. Outro objetivo é pressionar pelo aumento da legislação contra abusos e maus-tratos na agricultura e em determinadas práticas culturais, como as touradas.

O partido nasceu do empenho de sete fundadores, antigos aliados da causa animal. A advogada Helène Thouy defende nos tribunais a Associação L214, famosa no país pela divulgação de vídeos gravados com câmera escondida em abatedouros e fazendas. As imagens costumam mostrar cenas revoltantes de agressões e violência aos bichos – atitudes que contrariam as normas europeias sobre o sofrimento animal, mas que o governo francês tem dificuldade em fiscalizar.

“Com todos os escândalos revelados pelos vídeos, vimos que houve um grande impacto na opinião pública. Muita gente ficou chocada pela descoberta dos maus-tratos, afinal a maioria das pessoas não consegue imaginar como os animais são realmente tratados enquanto não veem com os próprios olhos”, afirma Thouy. “Esse era o momento de responder às expectativas dessas pessoas e passar a considerar mais os animais.”

Fim de competições com animais e do foie gras

O partido pretende batalhar pela criação do Ministério da Proteção dos Animais, que retiraria da pasta da Agricultura a responsabilidade de zelar pelos animais. Além disso, o programa inclui o fim de mutilações praticadas nas fazendas, como castração e corte do bico de aves, a proibição de competições de animais, como rinha de galo, e da prática de gavagem de gansos, utilizada para a fabricação do tradicional foie gras francês.

A produção de animais em gaiolas também seria interditada, sob um prazo de 10 anos, e o partido deseja incitar a redução de 25% do consumo de produtos de origem animal no país, até 2025.

“De uma forma geral, falta ação de todos os partidos políticos nessa questão, incluindo os verdes e os ecologistas. Esse é um dos objetivos do nosso partido: atender ao eleitorado sensível à questão e mostrar aos outros partidos que já passa da hora de eles levaram isso em conta”, ressalta Thouy.

Candidato à presidência

Por enquanto, o Partido Animalista não vai se candidatar às eleições presidenciais de 2017, mas pretende se apresentar para as eleições legislativas. O Palácio do Eliseu, porém, é a ambição de um candidato independente: trata-se de Michel Fize, um sociólogo que tenta conseguir a autorização para formalizar a candidatura à presidência, enquanto cria o Partido Para os Animais.

“Para mim, a ecologia é, antes de mais nada, a ecologia da natureza e dos seres vivos – e os animais são os mais numerosos a habitar o nosso planeta. Com a minha candidatura, percebo que a causa animal ainda não é considerada uma causa política”, sublinha Fize. “O animal não é nem de direita, nem de esquerda. Ele é a favor daqueles que o defendem.”

Ecologistas afastados da causa

A decepção com o Partido Europa Ecologia – Verdes é um traço comum dos defensores da causa. Eles observam que, na França como no restante da Europa, os ecologistas se concentram nas grandes questões ambientais, como as mudanças climáticas e a poluição, mas deixaram de lado a defesa da fauna.

Por outro lado, os franceses são cada vez mais sensíveis à questão. “80% dos franceses são favoráveis aos lobos, uma espécie protegida que é exterminada de uma maneira ilegal nas montanhas, com o apoio do Ministério do Meio Ambiente. É uma loucura o que acontece na França”, nota Marc Giraud, vice-presidente da Associação pela Proteção dos Animais Selvagens. “Sabemos que somos apoiados por uma massa de eleitores que nunca foi ouvida pelos políticos.”

A Holanda é citada como o verdadeiro exemplo europeu neste tema, ao incluir a proteção animal na política. O país já tem senadores e deputados regionais, nacionais e europeus eleitos sob a sigla do Partido para os Animais, criado em 2002.

Outra inspiração vem da Espanha, onde o Partido Animalista contra os Maus-Tratos aos Animais tem conquistado cada vez mais adeptos e chegou a 1,16% dos votos nas últimas eleições.

Fonte: As Vozes do Mundo

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