Tuesday, October 24, 2017

Leptospirose canina: uma ameaça constante

Leptospirose canina: uma ameaça constante

Por Danielle Bohnen

Você já deve ter ouvido muito falar em Leptospirose e vem logo à mente a imagem de ratos de esgoto. Essa é uma das inúmeras doenças a que nossos cães estão expostos e que pode ser transmitida para nós também.

A leptospirose é uma doença causada por várias espécies de uma bactéria cujo gênero é a Leptospira, sendo as espécies mais comuns em cães a L. interohaemorrgahiae e L. canicola e, em humanos, L. interrogans. Os seres humanos são mais acometidos por ingestão de água e alimentos contaminados e exposição às enchentes, mas esse não é o foco do nosso artigo. Voltemos a falar dos cães.

As Leptospiras penetram através da pele ou de mucosas (pele que recobre a parte interna do nariz, da boca, etc) e multiplicam-se se espalhando por todo o corpo. Elas atingem, principalmente os rins, onde ficam alojadas.

Os sinais que os cães infectados apresentam são: febre, falta de apetite, vômito, desidratação, icterícia, dores musculares, entre outros. A doença é tratável e o animal se recupera bem, porém pode continuar sendo portador liberando bactérias através da urina. Por isso, o tratamento deve ser realizado por médico veterinário que irá determinar a melhor condução do mesmo a fim de eliminar completamente a bactéria do rim do animal. Durante o tratamento recomenda-se o uso de luvas e cuidado no manejo do animal.

O diagnóstico é realizado com os sinais clínicos associados a exames complementares como hemograma, bioquímica sérica, urinálises e, principalmente, sorologia (PCR).

A distribuição é mundial sendo mais recorrente em zona urbana de países de clima tropical. A transmissão ocorre com o contato direto com animais infectados ou sua urina, também por contato no solo e ingestão de água contaminados. Além dos cães, outros animais como bois, porcos e cabras podem ser infectados.

O ponto crucial para evitar a contaminação do ambiente e a infecção em animais e humanos é o saneamento básico, evitando-se acúmulo de lixo e inundações, visto que a maior incidência da doença tanto em humanos como em animais ocorre em áreas de baixo estrato socioeconômico.
As bactérias podem sobreviver durante meses no ambiente desde que esteja úmido ou em água parada.

cão grande amarelo com guarda-chuva na boca, galochas de chuva nas patas anteriores em meio a alagamento em zona rural

Evite a leptospirose

  • A vacinação é o principal meio de prevenção da leptospirose, já que tanto a V10 como a V8 englobam algumas espécies da bactéria. Mas mesmo com animais vacinados, deve-se manter outras formas de controle da doença já que existe o risco de infecção mesmo nesses animais.
  • Evitar presença de roedores
  • Evitar cães perambularem na rua sem assistência
  • Contato dos cães com áreas alagadas
  • Consumo de carne crua
  • Uso de detergentes e desinfetantes são eficazes para eliminação da bactéria no ambiente doméstico
  • Evitar água parada

Referências

McGavin, Zachary. Bases da Patologia em Veterinária. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
OLIVEIRA, Simone. Leptospirose Canina: dados clínicos, laboratoriais e terapêuticos em cães naturalmente infectados. Porot Alegre, 2010. UFRG.Disponível em http://www.ufrgs.br/lacvet/restrito/pdf/tese_simone.pdf
CIVES. Centro de Informação em Saúde para Viajantes. Disponível em http://www.cives.ufrj.br/informacao/leptospirose/lep-iv.html

About The Author

Danielle é jornalista, formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Já foi voluntária em diversas ONG como Abeac, Anda, Associação Mata Ciliar e N/a'an ku se (Namíbia). Atualmente, estuda Medicina Veterinária na Fesb de Bragança Paulista, onde faz estágio no hospital universitário HVet.

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