Sunday, November 19, 2017

Terceira idade vegetariana

Terceira idade vegetariana

Por Dr. Eric Slywitch

Há diferenças a serem observadas na terceira idade, sendo a dieta vegetariana ou não.

Quais os nutrientes essenciais na terceira idade?

Os nutrientes necessários na terceira idade são os mesmos que os adultos necessitam.

O ponto de atenção nessa faixa etária se deve às mudanças orgânicas do indivíduo, que podem levá-lo a ter uma necessidade maior de alguns nutrientes, devido a dificuldades de absorção, doenças presentes nesses indivíduos ou mesmo ao uso de medicações, que são mais comuns nessa fase vida.

O ferro e a vitamina B12 são exemplos. O idoso tende a ter um estômago menos ácido. Isso faz com que haja mais dificuldade para absorver o ferro e para retirar a B12 dos alimentos. O mesmo vai acontecer se o uso de anti-ácidos for constante.

Nessa situação a B12 e o ferro, por exemplo, podem necessitar de uma maior quantidade ingerida, ou de suplementação.

Outro ponto muito importante é a presença de doenças, que são mais freqüentes nos idosos, como hipertensão arterial e diabetes. Diversas doenças necessitam correções nutricionais.

Assim, as diferenças de necessidade, podem se dar pela presença de doenças, uso de medicamentos e não unicamente pelo envelhecimento.

Homens e mulheres idosas tem necessidade diferenciadas com relação à nutrição?

Não necessariamente.

O envelhecimento não traz diferenças marcantes para homens e mulheres com relação às escolhas nutricionais.

Nessa faixa etária, a presença de doenças, assim como o olhar pela prevenção de determinadas doenças mais comuns em cada sexo é o que acaba por determinar as diferentes necessidades ou escolhas nutricionais.

Muitas mulheres, como decorrência da menopausa, podem acabar utilizando mais derivados da soja ou linhaça, por exemplo, com a intenção de reduzir os sintomas da menopausa.

Os homens podem, por exemplo, ingerir mais tomate, goiaba vermelha ou melancia para aumentar a ingestão de licopeno, fator protetor contra o câncer de próstata.

Essa preocupação com o uso de alimentos específicos é comumente vista em consultório, mas devemos lembrar que a alimentação como forma de prevenção de doenças é um “investimento a longo prazo”, que deve ser iniciada o quanto antes.

Como saber se estamos consumindo alimentos corretos? Um prato com todas as cores seria um dos parâmetros? Quais seriam os outros?

A determinação do que estaria correto na nutrição não depende apenas das escolhas alimentares, pois é necessário saber quais são os problemas que existem no organismo da pessoa.

A junção de conhecimentos sobre o organismo que está sendo alimentado com o tipo de alimentos escolhido é o que vai direcionar a forma correta de montar o cardápio.

A diversificação de cores pode e deve ser enfatizada, lembrando-se que as cores devem ser escolhidas sempre baseando-se em alimentos naturais, e jamais em artificiais. Cuidado com os alimentos brancos (açúcar, arroz branco, pão branco, massa branca e sal).

A escolha pelos cereais integrais deve ser quase sempre enfatizada.

O importante não é apenas a rotatividade de cores, mas sim fazer essa rotatividade dentro de cada grupo alimentar, utilizando-se todos os grupos.

É fato que vegetarianos adoecem muito menos que pessoas que se alimentam com carne?

Isso é muito relativo e nem sempre é verdade.

De acordo com estudos internacionais, a saúde dos vegetarianos realmente é melhor do que a de onívoros.

O que devemos ter claro é que não basta ser vegetariano, é necessário que a dieta seja adequada. E nem sempre o vegetariano tem uma dieta adequada.

O uso de uma dieta vegetariana adequada ao longo da vida pode reduzir a presença de doenças no idoso. Assim, nessas condições, os vegetarianos adoecem menos.

Uma pessoa que se torna vegetariana (com uma dieta balanceada) após estar doente pode ter uma melhora considerável de algumas doenças, mas não é garantida a sua cura. Assim, a saúde depende também do tempo que essa pessoa é vegetariana e de como ela se alimenta, dentro da opção vegetariana.

Quantas refeições os idosos devem fazer por dia?

Isso depende de diversos fatores, dos hábitos e de doenças que esse indivíduo possa ter, mas de forma geral poderíamos recomendar o consumo de pequenas refeições a cada 3 ou 4 horas.

Planejar as refeições dessa forma é importante para ajustar alguns hormônios produzidos pelo organismo, assim como para manter um aporte nutricional constante, e com menos oscilações, ao cérebro.

Essa recomendação se aplica aos jovens também.

É importante consumir alimentos leves á noite, principalmente na terceira idade?

O consumo de “alimentos leves” deve ser adotado sempre antes de dormir (quando há fome) por qualquer pessoa, pois isso leva a um sono mais tranqüilo.

O jantar, desde que longe (pelo menos 2 a 3 horas) da hora de dormir, não precisa ter uma restrição especial de alimentos.

À noite, é interessante que a refeição seja mais caprichada em proteínas (feijões, tofu) do que em carboidratos e gorduras. Se associado a isso, a pessoa consegue dormir de estômago praticamente vazio, teremos o melhor potencial para estímulo do hormônio de crescimento, que tem a função de manter a massa muscular e reduzir o acúmulo de gordura corporal.

Pontos importantes.

Alguns fatores são importantes para a boa saúde. A atividade física deve ser incentivada, considerando-se sempre as possíveis dificuldades de locomoção ou doenças associadas.

A serenidade mental do indivíduo determina muito as suas facilidades e dificuldades. O ato de fazer o que gosta e de ter menos preocupações pode ter um peso importante no bem estar físico e mental de qualquer indivíduo.

Quando estamos menos estressados, todos os hormônios sexuais podem ser melhor produzidos, o que estimula a manutenção de diversas funções corporais, como a manutenção da própria massa muscular.

A aproximação com o final da vida fisiológica leva muitos idosos à sensação de fragilidade e impotência frente à vida. A presença de amigos e da família, assim como de uma vida ativa, pode ser fundamental como apoio desse indivíduo, tornando a sua vida mais tranqüila.

É importante não olharmos para o que perdemos, mas sim para os pontos positivos que ganhamos.

Fonte: Alimentação sem Carne

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