Saturday, September 23, 2017

Entenda a Displasia Coxofemoral em cães

Entenda a Displasia Coxofemoral em cães

Por Danielle Bohnen

A displasia coxofemoral é uma doença poligênica (vários genes envolvidos), multifatorial e complexa, resultando em doença degenerativa da articulação coxofemoral.

Além de se tratar de uma doença hereditária, outros fatores contribuem para seu desenvolvimento tais como, porte físico do cão, estrutura e conformação corpórea, disparidade no desenvolvimento entre músculos e ossos, crescimento rápido, nutrição excessiva ou inadequada, problemas musculares, excesso de atividade física em cães jovens, excesso de peso e raça.

O cão apresenta claudicação (manca), redução da atividade, dor nos membros pélvicos, alteração no andar, correr, subir escadas, sinais estes que podem ser evidenciados após exercícios ou traumas relativamente pequenos. O cão prefere sentar-se em vez de ficar em pé e levanta-se lentamente com grande dificuldade.

Sugere-se que a displasia seja decorrente de má formação da articulação coxofemoral com flacidez da cápsula articular. Durante o crescimento há um desequilíbrio entre o esqueleto e os músculos de suporte, gerando uma disparidade entre eles o que altera a biodinâmica da articulação, que causa repetidos traumas na articulação levando à inflamação e degeneração óssea.

O diagnóstico é realizado através de radiografia pelo Método Radiográfico Convencional (MCR), preconizada pelo Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária (CBRV). Tal método permite a realização de uma pré-seleção aos nove meses de idade, porém, a maior parte dos cães que apresentam a doença, cerca de 80%, somente apresentam evidências das alterações aos 12 meses e alguns somente aos 24 meses, sendo esta idade a mais recomendada por especialistas para a confirmação do diagnóstico.

Na radiografia, a displasia é caracterizada pelo arrasamento do acetábulo e alteração morfológica da cabeça do fêmur, além de outras alterações. Isso quer dizer que, o fêmur não se encaixa perfeitamente em seu local de conexão com o osso do quadril, gerando desequilíbrios na articulação.O exame deve ser realizado com o animal anestesiado, pois os posicionamentos necessários são doloridos, principalmente para um animal sensibilizado pela síndrome. O veterinário utiliza a classificação de displasia leve ou moderada, displasia média ou moderada e displasia grave a fim de avaliar o estado do paciente e determinar o tratamento.

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Radiografia da articulação sem displasia coxofemoral. Foto: Provet
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Radiografia apresentando displasia coxofemoral severa. Foto: Provet

Um problema grave dessa metodologia,atualmente aplicada no Brasil, é a faixa etária de 24 meses preconizada, uma vez que o início da idade reprodutiva de cães de grande porte está em torno de 10 a 12 meses, segundo o artigo estudado. Isso quer dizer que, além dos inúmeros problemas conhecidos pela criação de cães e fábrica de filhotes, os criadores pouco se importam com doenças hereditárias que acometem seus animais, já que com 24 meses uma cadela já pode ter tido quatro cios ou quatro crias.

A displasia coxofemoral pode levar a outros problemas como osteoartrose e doença articular degenerativa. O que diminui a longevidade e qualidade de vida do cão. Embora existam raças predispostas e animais de grande porte são mais acometidos, a moléstia pode aparecer em cães menores e sem raça definida.

Não há cura efetiva, nem com os remédios e nem com cirurgia. As técnicas de tratamento utilizadas preconizam a melhora da qualidade de vida do paciente.

Referências

FROES, T.R.; GARCIA, D.A.A.; SCHMIDLIM, P.C.; PARCHEN, H.D.;
SOUZA, A.C.R. Estudo comparativo e análise interobservador entre dois métodos de avaliação da displasia coxofemoral de cães. Veterinary Science. Junho de 2010.

Displasia Coxofemoral. Provet.Disponível em www.provet.com.br

About The Author

Danielle é jornalista, formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Já foi voluntária em diversas ONG como Abeac, Anda, Associação Mata Ciliar e N/a'an ku se (Namíbia). É vegana e, atualmente, estuda Medicina Veterinária na Fesb de Bragança Paulista, onde faz estágio no hospital universitário HVet.

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