Monday, December 18, 2017

Animal idoso: entenda e tire todas as dúvidas

Animal idoso: entenda e tire todas as dúvidas

Quando adotamos um cão ou um gato para fazerem parte da nossa família sabemos que um dia ela chegará: a terceira idade. E os cuidados com eles devem ser específicos, já que suas funções orgânicas não são mais aquelas. Como saber se o animal está idoso? Como cuidar dele agora? Tem que dar vacina? Existem coisas que ele não poderá mais realizar? Tire todas as suas dúvidas sobre seu animalzinho idoso.

Quando chega a Terceira Idade?

Cada espécie tem características próprias que definem a entrada da terceira idade, a idade em si não define se um animal é velho, cada caso deve ser analisado individualmente. Isso ocorre porque há animais jovens com disfunções ou doenças características de animais idosos, bem como animais velhos com disposição e saúde de jovens.

O processo de envelhecimento de caninos e felinos não é bem elucidado na medicina veterinária, pois vivem pouco para demonstrar sinais de selinidade. Os cães e gatos vivem em torno de 10 a 11 anos, existindo casos relatados de animais que chegaram a quase 30 anos de idade. Esse aumento na longevidade dos animais se deve ao fato de existirem melhores tratamentos e nutrição para os animais, que se preocupam com a qualidade de vida e duração da vida.

Fórmula sugerida por Geaorgia Extension Veterinary Newsletter:

CANINOS HUMANOS
6 meses 10 anos
8 meses 13 anos
10 meses 14 anos
12 meses 15 anos
18 meses 20 anos
Cada ano 4 anos

 

Isso quer dizer que, quanto maior o porte do animal mais precocemente ele entra na terceira idade. A velhice não é uma doença, e sim uma fase natural da vida, não devendo ser definida como números e datas.

Há uma diferença significativa quando trata-se de animais de companhia, já que seu ritmo de vida é complemente diferente de um animal que vive em liberdade. Se o estresse da vida selvagem, os animais de “cativeiro” tendem a ter o processo de envelhecimento retardado, sem ter que procurar alimento, fugir de predadores ou competir por reprodução, a deterioração é mais lenta e imperceptível, já que em vida livre a perda de audição ou visão leva à vulnerabilidade para predadores e acidentes.

O principal efeito da senilidade é a DESIDRATAÇÃO TECIDUAL: maior perda de líquidos e diminuição da sede.

Efeitos gerais da senilidade

  • Aumento da fragilidade dos tecidos
  • Perda da flexibilidade osteomuscular
  • Deterioração das células nervosas
  • Enrugamento da pele
  • Redução da capacidade de sobreviver ao estresse

Sinais de senilidade

  • Alteração do apetite (para mais ou para menos)
  • Alteração nos hábitos de higiene
  • Alterações de consciência
  • Letargia
  • Esbranquiçamento de pêlos

Consequências

  • Redução da massa muscular
  • Aumento da gordura corpórea
  • Atividade física reduzida

Sintomas

  • Sono intermitente e intranqüilo
  • Menor produção de calor
  • Menor taxa metabólica
  • Menor necessidade calórica

Senilidade e os órgãos

Boca

Animais geriátricos geralmente apresentam distúrbios odontológicos importantes.

  • Redução na produção de saliva
  • Lesões gengivais
  • Doenças periodontais
  • Resíduos alimentares por desgastes nos dentes
  • Tumores bucais

 

O video abaixo explica mais o que são periodontites e gengivites e o que fazer para evita-las:


Intestino

  • Menor absorção
  • Renovação lenta de células
  • Diarréias e constipação
  • Tumores
  • Fezes endurecidas por falta de hidratação

Fígado

  • Perda de células
  • Aumento depósitos de gordura
  • Redução função hepática
  • Menor metabolização

Doenças hepáticas que acometem caninos e felinos idosos

  • Hepatite crônica dos caninos: causas imunomediadas e predisposição genética nas raças Doberman Pinscher e Cocker Spaniel
  • Síndrome da colangite-colangioepatite felina: distúrbios hepatobiliares inflamatórios
  • Lipidose hepática: acúmulo gordura
  • Tumores

Sistema respiratório

  • Doença pulmonar obstrutiva
  • Bronquite crônica
  • Suscetibilidade aumentada a infecções

O envelhecimento do pulmão, órgão afetado pela desidratação tecidual, caracteriza-se pela menor eficiência em expelir o ar.

Sistema Cardiovascular

Os distúrbios cardiovasculares mais recorrentes são:

  • Insuficiciência cardíaca congestiva (ICC)
  • Síncope (Desmaios)
  • Fraqueza

Os problemas cardiovasculares podem não apresentar sinais clínicos relevantes, mas podem complicar o tratamento de outras anormalidades comuns em idosos. Por si só, o envelhecimento acomete o coração e os vasos sanguíneos, alterando as respostas às doenças e medicamentos.

Sistema Urinário

A principal característica é o declínio na função renal, com as seguintes alterações:

  • Redução do peso renal
  • Diminuição da função
  • Acúmulo de proteínas plasmáticas na superfície interna

Diminuição dos néfrons funcionais, incontinência, cistite crônica, inflamação prostática.

A Insuficiência Renal Crônica é comum em pacientes idosos, aumentando a suscetibilidade com o avanço da idade.

Sistema músculo-esquelético

Há perda de massa muscular e esquelético devido à redução no tamanho e quantidade de células. Observa-se

  • Atrofia dos músculos
  • Dificuldade em utilização de aminoácidos como fonte de energia
  • Tendência a fragmentação de cartilagem
  • Redução da força tênsil, rigidez tênsil e quantidade de cartilagem

O animais pode apresentar artrites, artrose, osteoartrite, osteoporose, hérnia de disco, espondilose, entre outros problemas em ossos e músculos.

Sistema nervoso

O envelhecimento leva ao aumento ou redução na atividade do tecido nervoso. Níveis reduzidos de serotononina causam depressão, distúrbios do sono e neuromusculares.

Ocorre reação reduzida a estímulos e perda parcial das sensações, da visão, da audição, do paladar e da olfação. Atividade neural diminui em 10%.

  • 95% dos neurônios são interneurônios de transmissão de sinais, com a idade, os estímulos demoram mais tempo – perigo de cães que passeiam sozinhos
  • espessamento das meninges: causa irritação, demora a obedecer comandos, problemas de orientação espacial
  • perda do treinamento caseiro: urinar e defecar em locais impróprios, perda de hábitos de higiene.

Os animais idosos não possuem um bom sistema imunológico, por isso a vacinação é importante e pode ser aplicada até o fim da vida com os reforços anuais. As convulsões tendem a aumentar com o avanço da idade por doenças hepáticas ou tumores cerebrais.

Devido a tudo isso, o seu médico veterinário vai pedir um hemograma completo, função renal e hepática, além de outros exames que se façam necessários tais como raios-x, ultrassom e eletrocardiograma. Lembre-se que seu animal agora precisa de cuidados especiais:

  • Seja paciente se ele errar comandos que já conhecia.
  • Ofereça bastante água e que esteja fresca.
  • Importante que você preste atenção para perceber se está perdendo olfato, visão e audição.
  • Leve-o para passear, mas respeite seus limites.
  • Ofereça alimentos especiais para idosos.
  • Deixe-o confortável com aquecimento adequado.
  • Evite oferecer comida humana.
  • Escove os dentes dele.

E, acima de tudo, dê muito amor e carinho para ele!

Lembre-se:

Referência

FIGUEIREDO, Cid. Geriatria Clínica dos Caninos e Felinos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

About The Author

Danielle é jornalista, formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Já foi voluntária em diversas ONG como Abeac, Anda, Associação Mata Ciliar e N/a’an ku se (Namíbia). Atualmente, estuda Medicina Veterinária na Fesb de Bragança Paulista, onde faz estágio no hospital universitário HVet.

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