Monday, December 18, 2017

Cegonhas são viciadas em lixo à céu aberto

Cegonhas são viciadas em lixo à céu aberto

Por Danielle Bohnen

As cegonhas que deveriam migrar para a África, ficam em Portugal e Espanha. De acordo com uma pesquisa, isso ocorre porque esses animais se tornaram viciados em comida encontrada nos lixões à céu aberto de aterros sanitários.

“As cegonhas brancas costumavam migrar todos os anos no inverno. Antes dos anos 80, não havia cegonhas que permaneciam em Portugal e Espanha”, afirmou Aldina Franco, ecologista e conservacionista que encabeça a pesquisa na Universidade de East Anglia, no Reino Unido.

Durante a década de 80, alguns indivíduos passaram a não migrar e esse número tem crescido exponencialmente.

Por exemplo, em Portugal, a população de cegonhas residentes tem crescido de 1187 indivíduos em 1995 para 14 mil que vemos hoje, segundo Franco. Além disso, 80% desses animais encontram-se em aterros sanitários.

“Acreditamos que esse aterros têm facilitado que as cegonhas permaneçam em seus locais de nidificação durante todo o ano, já que têm uma fonte de alimento constante o ano todo”.

Para essa pesquisa, a equipe de Franco realizou um monitoramento exaustivo de 48 cegonhas as quais carregavam um GPS. Durante vários anos, os dados revelaram que as aves permaneciam em seus ninhos perto dos aterros, conservando esta localização como “privilegiada”, de acordo com a pesquisa, que foi publicada na revista Movement Ecology.

A pesquisa revela também o estilo de vida que levam as aves em torno do lixo. “Algumas cegonhas vão do ninho ao aterro e voltam logo em seguida”, comenta Franco.

Aquelas que vivem mais longe dos lixões, percorrem até 48 quilômetros para se alimentarem e depois voltam a seus ninhos.

Essas mudanças de comportamento e a ausência de migração pode afetar, sem dúvida, a futura população de aves, principalmente devido ao acasalamento, segundo Franco. Se permanecem em seus ninhos, estão prontas para a reprodução logo de começada a temporada de acasalamento.

Em investigações futuras, Franco tem o objetivo de averiguar se isso propicia uma taxa de êxito na procriação.

A pesquisa não analisa os motivos pelos quais alguns indivíduos permanecem enquanto outros continuam a migração.

Além do vício pelo lixo que pegam nos aterros, a mudança climática também pode ter influenciado a mudança de comportamento das aves. Os invernos menos rigorosos de Portugal e Espanha têm proporcionado uma vida mais fácil para as cegonhas brancas, já que os grilos e gafanhotos, dos quais também se alimentam, estão disponíveis o ano todo, assinala Franco.

Outro motivo, também pode ter sido pela introdução do caranguejo americano que invadiu os campos de arroz e se converteu em um de seus alimentos favoritos.

Porém, para as 14 mil aves que vivem nos aterros, o banquete de lixo pode acabar, pois a União Europeia prevê acabar com os aterros a céu aberto até 2018. O futuro das cegonhas então é incerto, após não haver mais comida à vontade nos lixões, podem coltar a fazer a migração.

Com informações de National Geaographic

About The Author

Danielle é jornalista, formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Já foi voluntária em diversas ONG como Abeac, Anda, Associação Mata Ciliar e N/a’an ku se (Namíbia). Atualmente, estuda Medicina Veterinária na Fesb de Bragança Paulista, onde faz estágio no hospital universitário HVet.

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