Thursday, November 23, 2017

Covardia sem punição: a cada 44h um animal é vítima da crueldade humana em MS

Covardia sem punição: a cada 44h um animal é vítima da crueldade humana em MS

Covardia sem punição. Essa pode ser a maneira mais apropriada para se definir ações violentas contra animais que resultam em ferimentos, sequelas e até mortes. O assunto cada vez mais ganha espaço no setor policial, mas tem o mesmo fim: a impunidade. Estatísticas da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Proteção ao Turista (Decat) revelam aumento em denúncias de maus-tratos no Estado. No ano passado, a cada 44 horas, um animal foi vítima da crueldade humana.

cão pequeno amarrado com corda no pescoço em cima de carrinho de mão
Polícia registrou 197 ocorrências de maus-tratos, em MS, no ano de 2015. Foto: Divulgação PC

Enquanto que em 2014 houve 190 denúncias, em 2015, foram 197, representando um maltrato a cada 44 horas. Do último total de casos, 53 ocorreram em Campo Grande. No primeiro mês deste ano, a polícia já registrou 45 Boletins de Ocorrência dessa natureza, no Estado.

O último episódio de maus-tratos, divulgado pela imprensa da Capital, teve grande repercussão por ter envolvido um estudante de medicina. O rapaz, de 24 anos, foi flagrado atirando com espingarda de chumbinho em um uma gata que caminhava por calçada, no Bairro Monte Carlo. O animal morreu dias depois.

O autor da crueldade estava em um HB20 e, além de pessoas que viram, a ação foi registrada por sistema de monitoramento de uma casa, cujas imagens serviram como provas contra ele. O estudante chegou a prestar depoimento na polícia, mas por se tratar de crime de menor potencial ofensivo, foi liberado.

Entre os casos do ano passado, um que gerou comoção pública foi o da cadelinha Vitória. A vira-lata, de cerca de três meses, morreu depois de ser espancada, ter parte da pele arrancada e ser abandonada, no mês de junho. Três pessoas foram indiciadas pelo crime de maus-tratos, entre elas a dona do animal, Fernanda Ribeiro dos Santos, de 37 anos.

Mas, todos permanecem em liberdade.

Estes não foram casos isolados que deixam indignação pela impunidade, principalmente, em protetores e simpatizantes de animais. O delegado titular da especializada, Wilton Vilas Boas, explica que o crime ambiental prevê de três meses a um de detenção e multa, caso o autor seja condenado. No entanto, raramente, isso acontece. “A pena é branda e na maior parte dos casos há acordo, como prestação de serviço, por exemplo. Encaminho o inquérito ao judiciário, mas por se tratar de menor potencial ofensivo a promotoria tenta resolver de forma alternativa para evitar a prisão”, comentou.

gata tigrada cinza com ferimento
Gata que foi baleada não resistiu. Foto: Correio do Estado

Ainda conforme a autoridade policial, são diversos os tipos de maltrato a animais e a maioria das vítimas são cães e gatos . “No ano passado foi grande a quantidade de envenenamento. Depois, disparo com arma de chumbinho. Também há casos de espancamentos e privação de alimentos. Temos casos também de cavalos, mas por trabalho excessivo”.

O delegado explica, ainda, que episódios de envenenamentos, geralmente, envolvem gatos. “Moradores incomodados optam em resolver o problema dessa maneira. Por outro lado, o tutor não cuida. Vale lembrar que cuidados não é só alimentar, mas evitar que o animal gere transtornos aos vizinhos”, orientou.

Sobre a motivação da crueldade praticada contra animais, Vilas Boas destaca: Há até casos de vinganças. “Próprios tutores destratam para se vingar de forma indireta quando há conflito familiar. O animal é que acaba no alvo. Também há pessoas que são cruéis por prazer”, sinalizou.

cadela pequena em mesa veterinária com médica afagando seu corpo
Cadela vítima de maus-tratos não resistiu. Foto: Correio do Estado

Fonte: Correio do Estado

About The Author

Danielle é jornalista, formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Já foi voluntária em diversas ONG como Abeac, Anda, Associação Mata Ciliar e N/a’an ku se (Namíbia). Atualmente, estuda Medicina Veterinária na Fesb de Bragança Paulista, onde faz estágio no hospital universitário HVet.

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