Monday, December 18, 2017

Sem rodeios: o peão que deixou os maus-tratos aos animais pelo Yoga e vegetarianismo

Sem rodeios: o peão que deixou os maus-tratos aos animais pelo Yoga e vegetarianismo

A História de Gonzalo Guzmán Recart

Danielle Bohnen

“Querida família: deixem de fazer os animais sofrerem, deixem o rodeio”, escreveu o herdeiro de uma tradição seguida há três gerações.

“História do Rodeio virou mais uma página neste domingo quando Michelle Recart tornou-se a primeira mulher a ganhar o Champion, prêmio que compartilhou com seu filho Gonzalo Guzmán no rodeio do Club Florida”, anunciava, no dia 7 de fevereiro de 2011, o site Rodeo y Rienda. O triunfo era um marco para o rodeio e também para os Guzmán Recart, herdeiro de uma tradição familiar de três gerações, onde Manuel – o pai de Michelle Recart – começou seu clã. Por isso, a família é um ícone no mundo dos rodeios no Chile.

Em janeiro de 2011, em um rodeio em Yumbel, Michelle e seu pai sofreram um acidente, onde ambos caíram de seus cavalos. Como não puderam continuar na prova, foram substituídos por Marcelo e Gonzalo Guzmán, filhos de Michelle. Naquele dias, os jovens montaram suas éguas e ganharam o Champion.

Desde criança Gonzalo está vinculado ao mundo dos rodeios. Aos seis anos praticava equitação. Foi corredor e cavaleiro. Começou correndo com seu pai, depois com seu avô e depois com seu irmão Marcelo. Emtre 2004 e 2012, durante 8 anos, seu nome correu pela região de Bío-Bío, onde nasceu. Um paixão que não o abandonou nem mesmo na Universidade de Temuco, onde chegou a ser vice-presidente da mesa diretiva da Organização Nacional de Rodeio de Educação Superior (ONARES, sigla em espanhol).

Um dos cavaleiros de maior projeção do país

Toda sua trajetória lhe rendeu até capa de revista, a Tell Magazine, em 2009, publicou sua história sob a manchete “Herdeiro de uma tradição”. “Foi 4 vezes ganhador do Champion de Rancagua e em 2007 foi eleito o melhor cavaleiro da Associação Concepción, distinções que o titula, junto ao seu irmão Marcelo, como um dos cavaleiros de maior projeção do país”, se lê na publicação.

“Se a sua família não fosse do meio dos rodeios, você acredita que faria parte desse mundo de qualquer jeito?”, sempre lhe perguntam. “Acredito que em algum momento da minha vida eu teria amado o rodeio, porque acredito se nasce com o “bichinho”, cedo ou tarde teria terminado nisto”, ele responde.

“Irmãos chilenos, em especial minha querida família amada, do fundo da minha alma, vos peço, por favor, deixem de fazer os animais sofrerem, deixem o rodeio, isso não faz ninguém feliz, tais práticas são totalmente desnecessárias. Devemos abandona-las”, escreveu Gonzalo em seu Facebook.

O que houve?

retrato de gonzalo de monge, mão unidas
Foto: Facebook/ Gonzalo Guzman

Há, por volta de 4 anos, Gonzalo Guzman mudou radicalmente de vida. O cavaleiro, peão, empresário e engenheiro comercial da Universidad del Desarrollo, tornou-se monge, entrou para o monastério do Yoga e, atualmente, é administrador da Universidade da Sabedoria Ancestral Goloka, em Rio Minca, na cidade de Santa Marta, na Colômbia. Ali, trabalha promovendo o vegetarianismo, o consumo consciente e o ativismo pelos direito da mão terra e dos animais.

“Queridos irmão chilenos, quando vejo as críticas feita contra a Federação Nacional do Rodeio Chileno sobre os direitos dos animais depois de eu mesmo ter sido um participante ativo (…) é que gostaria de fazer um chamado a todos e implorar para que detenhamos os maus-tratos contra os animais”, publicou em sua conta. “Eu mesmo participei dessa tortura contra os animais por um longo tempo sem me preocupar com nada (…) este esporte jamais vai fazer-lhes feliz”, acrescentou sobre o rodeio. “Em seu devido tempo sofreremos as consequências que estamos gerando ao maltratar essesindefesos animais e isso não é bom para nós”.

O texto publicado por Gonzalo foi bem recebido por alguns de seus amigos, mas não ocorreu o mesmo com seus familiares. Cami Retamal Guzmán, sua prima, foi uma das primeiras a comentar, respondendo que tinha pena de suas palavras. “Ambos vimos o amor de nossos avós pelo rodeio, você sabe que mais do que eu a respeito de seu amor pelos cavalos e também laçar um novilho não é tortura-lo”, escreveu. Já o seu irmão, por outro lado, reconheceu admirar sua mudança.

Em relação aos danos ao meio ambiente pela produção de carne, Gonzalo acredita que “o melhor direito que os animais têm é viverem livres”. “Nossa bondosa mãe terra nos provê mais de 5 vezes alimentos que somos capazes de consumir, apesar de se manterem matadouros em todo o mundo para apenas satisfazer o paladar”, acrescentou.

Por Daniel Labbé Yáñez
Tradução: Danielle Bohnen

About The Author

Danielle é jornalista, formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Já foi voluntária em diversas ONG como Abeac, Anda, Associação Mata Ciliar e N/a’an ku se (Namíbia). Atualmente, estuda Medicina Veterinária na Fesb de Bragança Paulista, onde faz estágio no hospital universitário HVet.

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