Sunday, November 19, 2017

Psicopedagoga explica a importância dos animais na educação da criança

Psicopedagoga explica a importância dos animais na educação da criança

Danielle Bohnen

Todos os dias, no Facebook, nos deparamos com pedidos de conselhos sobre pais que desejam adotar um cão ou gato para seu filho. Protetoras e ONGs costumam ver com olhos críticos pessoas que chegam querendo adotar um animal quando o pedido vem da criança. Isso acontece porque muitos pais agem por impulso ou se rendem à pressão dos filhos e depois se arrependem.

Ter um animal em casa ajuda o desenvolvimento da criança em vários aspectos, inclusive ensina-la o respeito aos animais e ao próximo. É importante também para ensina-la sobre assumir responsabilidades.Segundo a psicopedagoga, autora do livro “Orientando pais, Educando filhos“, Debora Corilgiano, “o primeiro aprendizado é o respeito por um ser vivo que precisa de atenção, carinho e cuidados. Dependendo da idade da criança os pais podem deixar uma pequena responsabilidade diária para ele, como por exemplo colocar água, recolher o jornal ou qualquer outra atividade. Isso ajuda a criança a ter responsabilidade e autonomia”.

debora

 

Porém, os pais precisam estar atentos, pois ceder à insistência do filho para depois se desfazer do animal alegando que o filho não cuidava dele e, dessa forma, colocar toda a responsabilidade nas costas da criança não é nada saudável para a criança. “Antes de adquirir um animal de estimação os pais precisam fazer alguns combinados com seus filhos, explicar as responsabilidades e cuidados. Dividir a tarefa do cuidar, fará com que fique mais fácil para todos, sem contar que desta forma todos poderão dar carinho e atenção ao animal de estimação”, comenta Debora.

E aquela “mentirinha” para poupar a criança de sofrimento em caso de dar o animal sem a criança saber Debora diz que “é uma atitude errada. A verdade sempre deve ser dita. Porém conforme a idade da criança, devemos dosar a intensidade do que se é dito. Sentir saudade, chorar pela perda é um direito da criança”.

Os pais devem ter cuidado redobrado com essa mentirinha, ou mesmo que seja verdade, no caso de alegar que o deram o animal por este apresentar algum defeito físico. De acordo com Debora, esse tipo de atitude gera preconceito que é passado à criança, “dessa forma os pais estão ensinando que tudo aquilo que não é perfeito deve ser descartado. E a vida não é assim, devemos ensinar nossos filhos a respeitarem as diferenças e o principal é sempre falar a verdade”.

Crianças e a lição sobre a morte

Apesar de a morte ser inerente à vida, muitos de nós têm medo ou pena de deixar uma criança sofrer ao encarar a dura verdade sobre a morte de uma animal querido. Dessa forma, voltamos às mentirinhas que comentamos anteriormente, mesmo sabendo que esta não seja uma maneira inteligente de lidar com a situação.

“Esse tema é muito importante. Quando um animal de estimação morre, os pais devem falar a verdade e não simplesmente substituí-lo ou mentir que o mesmo fugiu ou foi embora. Com este fato a criança aprenderá a lidar com as perdas , hoje ele vai chorar e sofrer por um animal querido , aprenderá que o sofrimento que era muito forte nos primeiros dias vai sendo amenizado até se transformar somente numa saudade do animal . Isso irá prepará-lo para uma futura perda, como de um ente querido ou outra pessoa de seu convívio. É importante que a criança vivencie algumas situações de sofrimento, para futuramente superar tantas outras que surgirão”, explica Debora.

criança pequena passeando com cão grande caramelo

Antes de adotar um animal, você deve, em primeiro lugar, pensar no bem-estar dele, pois “não adianta adotar um animal que ficará o dia inteiro sozinho, trancado em um apartamento, pois todos ficam fora o dia todo e só estão em casa a noite. Não adianta também adotar um animal se a criança tem medo, pois não será desta forma que a criança perderá o medo. O animal não pode entrar no contexto familiar, como um brinquedo ou passa tempo. Ele requer carinho, cuidados específicos e respeito. Se a família não se vê em condições para assumir esta responsabilidade, é preferível não adotar, do que criar uma desarmonia familiar. Existem também outros aspectos como a questão de saúde da criança, crianças alérgicas que não podem ter cachorros ou gatos, mas podem ter um pássaro, uma tartaruga ou um peixe. O importante é o respeito ao animal”, alerta Debora.

Se você decidiu adquirir um animal, descarte a ideia de comprar, pois muitos problemas são gerados quando você compra um animal. Geralmente, eles nascem em condições subumanas e suas mães, chamadas de matrizes, são obrigadas a criar em todos os cios, gerando problemas de saúde. Quando não estão mais na idade fértil, são descartadas como um pano de chão velho.
Procure uma ONG ou protetor com características do animal que se “encaixa” na sua família, tais como pequeno, pelo curto, filhote ou não, etc. Deixe a ansiedade de lado e procure com calma, assim você tem tempo de pensar e escolher o animal que melhor vai se adaptar à sua família. Não precisa ter pressa, pois há sempre um animalzinho carente esperando uma família perfeita!

About The Author

Danielle é jornalista, formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Já foi voluntária em diversas ONG como Abeac, Anda, Associação Mata Ciliar e N/a’an ku se (Namíbia). Atualmente, estuda Medicina Veterinária na Fesb de Bragança Paulista, onde faz estágio no hospital universitário HVet.

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