Thursday, November 23, 2017

Como vídeos “fofos” podem condenar animal à extinção

Como vídeos “fofos” podem condenar animal à extinção

Vídeos de gatos, cachorros e outros animais de estimação são um hit na internet. Mas quando a atração passa a ser uma espécie exótica ameaçada de extinção, a imagem “fofa” pode ser letal. É o que indica um novo estudo publicado na revista científica Plos One , que associa a proliferação de vídeos domésticos feitos com animais em risco de extinção ao aumento da exposição dessas espécies ao comércio ilegal.

Trecho de video com primata Loris com bracinh para cima recebendo cafuné na axila
Reprodução/Youtube
Lóris-preguiçoso, espécie de primata ameaçado de extinção
Afago perigoso: vídeo do Youtube mostra um “lóris-preguiçoso” recebendo carícias

Exemplo disso é o vídeo publicado no Youtube em 2009 que mostra um “lóris-preguiçoso” ( Nycticebus ), chamado Sonya, recebendo carinhos na barriga. O vídeo, que baliza o estudo, foi compartilhado centenas de vezes, reproduzido em sites e replicado até por celebridades em redes sociais.

De acordo com o estudo, a fama online tem um lado sombrio: ela amplia a percepção pública dessa espécie de primata em extinção como animais de estimação ideais, o que promove ainda mais o comércio ilegal – ainda que de maneira indireta.

Outros vídeos similares com lóris-preguiçosos, que se tornaram virais na rede, também ajudam a introduzir esses primatas a uma grande parte da sociedade que normalmente não entraria em contato com eles.

A pesquisa ressalta que apesar do Youtube ser, em parte, policiado pelo público – é possível, por exemplo, denunciar vídeos como “abuso animal” –, nenhuma opção está disponível para os telespectadores denunciarem materiais que retratem animais criados ilegalmente.

“Com essa capacidade de atingir o público, os recursos da Web 2.0, como o YouTube estão entre os meios mais poderosos para aumentar a conscientização da conservação. […] Ao mesmo tempo, as imagens apresentadas pelos meios de comunicação podem ter efeitos nocivos se os espectadores não sabem o contexto”, diz o texto.

E o contexto em questão é brutal. Os primatas são transportados por centenas de quilômetros de seus habitats naturais na China, Vietnã, Laos e Camboja, para serem vendidos, por menos de U$ 15, em feira clandestinas. Eles são transportados em condições precárias, que podem afetá-los fisicamente, e têm os dentes arrancados para se tornarem aptos para conviver com humanos.

Os pesquisadores analisaram a repercussão do vídeo ao longo de 33 meses. Nos meses iniciais, um quarto dos comentaristas manifestaram interesse em ter um lóris como um animal de estimação, mas a medida que a fatos sobre sua conservação e ecologia se tornaram mais disseminados na mídia e por outros comentaristas, este interesse caiu significativamente, sublinha a pesquisa.

Fonte: Jornal Floripa

About The Author

Danielle é jornalista, formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Já foi voluntária em diversas ONG como Abeac, Anda, Associação Mata Ciliar e N/a’an ku se (Namíbia). Atualmente, estuda Medicina Veterinária na Fesb de Bragança Paulista, onde faz estágio no hospital universitário HVet.

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